terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Em Tom Nordestino, Zé é Fiel às idéias de Dylan


Em depoimento do ralo documentário exibido nos extras do DVD Tá Tudo Mudando - Zé Ramalho Canta Bob Dylan, o compositor e jornalista Nelson Motta defende com razão que nenhum outro artista do Brasil está mais credenciado para fazer um disco com versões de músicas do compositor norte-americano do que o autor de Avohai. Já perfilado com o Bob Dylan do Sertão por conta do canto meio falado, das letras verborrágicas e do misticismo que o fazem ser associado ao bardo, Ramalho encara o desafio de cantar Dylan em português em versões que ora são quase traduções das letras originais (caso de O Vento Vai Responder em relação a Blowin' in the Wind), ora são mais livres, sem contudo deixar de ser fiel em maior ou menor grau à firme ideologia de Dylan (caso de Rock Feelingood, a versão de Tombstone Blues que cita até o filmeTropa de Elite ao abordar a conivência da classe média com a guerra gerada pelo tráfico de drogas). Rockfeeling Good é uma versão já pré-existente de Maurício Baia que ganhou uns versos adicionais de Ramalho. A faixa tem adição da guitarra virtuosa de Robertinho de Recife, co-produtor do projeto. Já a música-título -Tá Tudo Mudando, versão de Things Have Changed, ótimo tema da seara mais recente de Dylan - é tocada com a guitarra de Frejat.

Novas ou antigas, fiéis ou livres, as versões cantadas por Ramalho a rigor quase nunca alcançam o vôo poético das letras existenciais de Dylan. O que dá um toque especial ao projeto é a intenção de trazer a obra de Dylan para o universo da música nordestina. A sanfona de Dodô Moraes pontua, por exemplo, O Amanhã É Distante, versão de Babal e Geraldo Azevedo para Tomorrow Is a Long Time, gravada por Azevedo em 1985 no disco A Luz do Solo. Já If Not for You - a única música entoada por Ramalho com os versos originais, em inglês - é formatada no ritmo agalopado recorrente no cancioneiro do compositor paraibano. Assim comoBatendo na Porta do Céu, a versão II de Knocking on Heaven's Door (aliás, inferior à primeira). É dentro desse espírito brazucaque Mr. Tambourine Man se transforma na figura sedutora de Mr. do Pandeiro, em alusão (explicitada na letra em português, escrita por Bráulio Tavares em 1978) a Jackson do Pandeiro (1919-1982).

Gravado em show fechado, feito sem platéia, o DVD reproduz as mesmas 12 faixas do CD homônimo, editado simultanea e separadamente. Contudo, o DVD é prejudicado pelas introduções algo vagas feitas pela jornalista Ana Maria Bahiana antes da exibição de cada música. Custa crer que uma jornalista com o currículo de Bahiana - ícone da crítica musical dos anos 70 e referência para todas as gerações posteriores de críticos - tenha aceitado falar um texto tão pomposo e com dois erros graves, um de informação e outro de omissão. A informação errada diz respeito à origem da música Don't Think Twice, It's All Right (Não Pense Duas Vezes, Tá Tudo Bem na versão cantada por Ramalho). Bahiana afirma se tratar de música lançada pelo autor em disco dos anos 70 quando, na realidade, a composição é de The Freewheelin' Bob Dylan, o álbum de 1963 no qual Dylan lançou o hino Blowin' in the Wind. Já a omissão é feita quando, ao apresentar a faixa Negro Amor, a jornalista não ressalta o fato de a versão (de alto teor poético) de It's All Over Now, Baby Blue ser da lavra fina de Caetano Veloso e Péricles Cavalcanti, dando a entender que se trata de mais uma das criações de Ramalho. E tal omissão é agravada pelo fato de na mesa redonda comandada pela jornalista Christina Fuscaldo - atrativo dos extras em que nomes como Bráulio Tavares e Maurício Baia detalham a origem das versões mais antigas - também não ser feita qualquer referência à autoria da bela Negro Amor. Erros e omissões à parte, Tá Tudo Mudando é projeto fiel ao tom e à ideologia do próprio Ramalho.
Mauro Ferreira

DVD - Tá Tudo Mudando



Já está nas lojas o dvd que é um tributo a Bob Dylan.

1. Wigwam / Para Dylan
2. O Homem Deu Nome A Todos Animais 
3. Tá Tudo Mudando
4. Como Uma Pedra A Rolar
5. Negro Amor
6. Não Pense Duas Vezes, Tá Tudo Bem 
7. Rock Feelingood
8. O Vento Vai Responder
9. Mr. Do Pandeiro
10. O Amanhã É Distante
11. If Not For You 
12. Batendo Na Porta Do Céu - Versão II 
13 - Frevoador (Hurricane) - Extras
14 - Batendo Na Porta Do Céu - Extras
15 - Mister Tamborine Man 
16 - Jacarepaguá Blues

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Eu Nunca tive um Disco que Não Fosse Malhado pela Critica

Ele acaba de lançar um álbum e já coleciona críticas. Aqui, Ramalho devolve pedradas em forma de ataques à mídia e ao jornalismo. E fala de drogas e de ETs

Zé Ramalho é fã de Bob Dylan e Raul Seixas mas não é tiete, tanto que preferiu não conhecer o músico quando ele fez show no Brasil. Neste mês, o músico lança Zé Ramalho canta Bob Dylan (EMI) com versões em português das canções do americano. Antes mesmo de chegar às lojas o novo trabalho já vinha sendo fortemente criticado pela imprensa porque Zé teria feito traduções literais das músicas. Ramalho recebeu a reportagem do JT no Rio de Janeiro, no escritório de sua produtora, a Jerimum Produções, e não censurou perguntas. Falou desde sua experiência com cogumelos alucinógenos até o suposto contato com uma entidade extraterrestre.

Por que fazer versões brasileiras das músicas do Bob Dylan?

Fazer um disco de versões de Dylan em inglês é uma coisa que o mundo todo faz. Saiu no ano passado, por exemplo, o disco Dylanesque, de Bryan Ferry. A minha intenção de fazer letras em português é um pouco romântica. É um trabalho difícil. Muitas vezes você traduz a letra de uma canção em inglês sendo que a sonoridade em português é diferente.

Como conseguiu autorização de Bob Dylan?

Eu não o conheço pessoalmente, apesar de ter ido ao show dele no Rio de Janeiro, no início do ano. Nunca quis ser tiete. Continuo sendo seu fã, ele é uma pessoa que me inspirou muito. Preparei um pacote com a tradução de todas as músicas e Aluízio Reis, presidente da Sony Songs, foi mostrar para a assessoria de Dylan. Da parte dele não houve qualquer constrangimento em achar que eu estava deturpando suas canções ou fazendo caricaturas. Ele autorizou todas sem observações e ainda pediu que mandasse o disco para ele guardar no acervo.

Como foi fazer este projeto?

Estava amadurecendo há muitos anos. É um projeto pessoal, não se trata de homenagem, tributo. Fiz o projeto de forma clara, transparente e sem qualquer vergonha. Nos próximos anos pretendo repetir a dose e lançar Zé Ramalho Canta Luiz Gonzaga e Zé Ramalho Canta Jackson do Pandeiro.

Está preocupado com a reação dos fãs de Dylan?

Pode até ser que exista alguma reação dos fãs de Dylan, ou não. Eles podem gostar quando perceberem que o trabalho foi formatado para uma língua tão difícil quanto o português.

Como encara os críticos?

Nunca tive um disco, em toda a carreira, que não fosse em algum momento malhado por algum setor da crítica (no dia da entrevista foi publicada no Rio de Janeiro uma crítica ferrenha ao novo disco de Ramalho). Sabe aquele ditado: “os cães ladram, mas a caravana passa?” Todo ano lanço um disco de carreira e vou passando com minha caravana. A cachorrada sempre late e sei que se jogar algumas migalhas de minha atenção eles vão parar, mas eu não faço isso. Sigo em frente, deixo eles latindo com fome, com raiva. Sempre foi assim e sempre será. Nunca andei de mãos dadas com a crítica, não vou me envolver com isso.

Ficou com receio deste trabalho ficar aquém dos autorais?

A sonoridade que conseguimos com este disco foi espetacular. A pessoa para avaliar um disco como esse tem de conhecer muito dos dois trabalhos e principalmente de música brasileira. É fácil ouvir um trecho de cada música e escrever algo para justificar o seu trabalho. O editor que manda você cobrir música também o manda escrever sobre o lançamento de peças íntimas femininas. Você não escolhe o que quer fazer. Estamos nas mãos de estagiários ou pessoas que estudam um ano e seis meses para aprender apenas o métier. São essas as pessoas que escrevem sobre seu trabalho. Não dá para levar a sério.

Você já disse que fumava maconha para compor. Ainda mantém esse hábito?

Hoje em dia, não mais. Foram coisas superadas. Não que a maconha seja danosa. A maturidade traz isso para você. Todas as experiências que tive com a maconha, cocaína e cogumelo foram coisas do período de garoto. A maconha eu estendi por alguns anos porque abria a cabeça e me dava inspiração. Hoje em dia sou uma pessoa completamente sóbria.

Como você lidou com o tema drogas com seus filhos?

Sempre fui muito discreto com as drogas, nunca fui pego em lugar público. Nunca houve algum flagrante, sempre fiz essas coisas na minha caverna. Depois que eles cresceram conversei com cada um. Minha filha mais nova vai fazer 14 anos. Explico para eles do que se trata e nunca tive embaraços. Tenho seis filhos de idades diferentes. São pessoas que me inspiram e me deram muita força.

Você se acha o seguidor da obra de Raul Seixas?

Tudo o que as pessoas sentem é verdadeiro, eu não posso rejeitar uma atitude e uma avaliação dessas. Eu me deixo levar. Permito e sinto isso. A admiração que eu tenho por Raul é muito grande. O Raul era um gênio, trazia para a sua música filosofia do povão.

É padrinho de um museu de ufologia no Rio Grande do Sul. Como é sua experiência com ETs?

A questão dos discos voadores é longa, mas eu acredito nessas coisas. Não digo que é religião, mas é minha referência da criação do mundo, sobre quem somos e de onde viemos. Não só acredito como tenho certeza. Faço disso, no entanto, uma coisa muito discreta. Quando você conversa sobre disco voadores as pessoas riem de você, chamam de maluco. Ninguém procura um disco voador, simplesmente acontece.

Já teve algum contato desses?

Quando eu estava fazendo a música Avohai eu tive uma aproximação grande do que se pode chamar de contato. Não foi nada de alguma criatura. Eu estava fazendo uma experiência com cogumelos alucinógenos. Quando você está com substância na cabeça, sente e pode ver coisas além. Vi uma nave em cima de mim. Foi durante essa experiência que tive a mensagem da música. Eu a considero a melhor música da minha vida. Ela apareceu desse jeito, de uma forma mediúnica. Acredito que somos uma experiência de civilizações superiores às nossas. Dizem até que a tecnologia das fibras ópticas e do forno de microondas foram passadas pelos alienígenas, nos EUA, no local que eles chamam de Área 51.

Você acredita em Deus?

Deus é um conceito. Raul Seixas já dizia: ‘Deus é aquilo que me falta para compreender o que eu não compreendo’. Aceito que as pessoas tenham isso como algo sério, mas Deus é uma criação do homem, mais do que o homem é criação de Deus.

Hoje é mais difícil trabalhar com música do que há 10 anos?

É mais difícil porque tudo virou uma selvageria. O romantismo foi banido das rádios e estações de TV. Quando um artista está lançando um show toda a mídia vai atrás das celebridades que estão na platéia. O artista lá na frente é só pretexto, não tem mais a mínima importância. Um show de artista hoje só é considerado importante mediante o número de celebridades que consegue ter em sua platéia. Quanto aos críticos de música, não reverencio esses caras. Alguns ficam zangados por eu não falar com eles. Vai chegar o dia em que não vou fazer mais nem isso aqui, o olho no olho. Vou fazer tudo por e-mail. Já deveria ter tomado essa decisão. Depois de muitas entrevistas você começa a atropelar as suas respostas. O e-mail me dá a chance de, solitariamente, responder com calma.

Você se considera um poeta?

Modestamente, sim. Foi o que eu consegui com muito custo.

Fonte:
Felipe Branco Cruz
Jornal da Tarde

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Clipe de Bob Dylan inspira capa do paraibano Zé Ramalho

Há um Bob Dylan no sertão paraibano, e poucos brasileiros se deram conta disso. Agora, a relação está escancarada. Com "Zé Ramalho Canta Bob Dylan", seu 22º álbum em 30 anos, o primeiro assume sem reservas sua porção Robert Zimmerman (nome de batismo do segundo).
São 12 canções de um homem que canta meio falado interpretadas por um outro que também canta meio falado. Mas, mais do que interpretações, Zé Ramalho reescreveu as letras. Fez versões, transformando, por exemplo, "Things Have Changed" (as coisas mudaram) em "Tá Tudo Mudando" e "Blowin' in the Wind" (soprando no vento) em "O Vento Vai Responder".
"Antes de gravar, as versões foram levadas pessoalmente, pelo presidente da Sony Songs (Aloysio Reis), aos EUA, para apreciação do Dylan e seus assessores. Depois da avaliação, a assessoria mostrou ao Dylan e ele liberou totalmente todas as versões, inclusive com 'louvor', ganhando elogios dele etc.", contou Zé Ramalho à Folha.
Algumas músicas ganharam explicação adicional. É o caso de "Mr. Tambourine Man", cuja letra ganhou um personagem bem brasileiro: "Hey, Jackson do Pandeiro/ Toque para mim/ Não estou com sono e não tenho para onde ir".
"Quanto a essa história do Jackson do Pandeiro e outras citações brasileiras, todas foram explicadas pelo Aloysio Reis. Só começamos a gravar o disco depois das autorizações", esclarece o paraibano. E, claro, as músicas ganharam roupagem nordestina, com sanfonas.
A exceção é "If Not for You", que manteve a letra em inglês. "Achei que, adaptar uma música como essa, cantada na língua natural e arranjada como eu fiz, com um ritmo nordestino agalopado, ficaria interessante, e acho que ficou! Esse arranjo tem também uma inspiração na gravação que George Harrison fez desta mesma música, no seu álbum 'All Things Must Pass' [1970]."

Escolha

Fã de Dylan desde o fim dos anos 60, quando saía da adolescência, Zé Ramalho teve certa dificuldade para escolher as canções do álbum. Afinal, Dylan gravou cerca de 500 músicas em sua carreira.
"Tenho quase todos os discos de Bob Dylan. É difícil ter a coleção completa, devido à dificuldade de encontrar todos os CDs no Brasil. Gosto muito dos álbuns: 'Blood on the Tracks' [1974], 'Slow Train Coming' [1979], 'Desire' [1976] e a trilha sonora de 'Pat Garrett & Billy the Kid' [1973]."
"Para o meu álbum, adotei como critério fazer uma teia de canções de épocas diferentes. Além disso, procurei dividir as letras em situações diferentes. Há as que eu chamo de canções de separação, como por exemplo 'Negro Amor' ('It's All Over Now, Baby Blue') e 'Não Pense Duas Vezes, Tá Tudo Bem' ('Don't Think Twice, It's All Right'); canções de cunho religioso como 'O Homem Deu Nome a Todos Animais' ('Man Gave Name to All the Animals') e 'Batendo na Porta do Céu' ('Knockin' on Heaven's Door'); ou canções lisérgico-visionárias como: 'Mr. do Pandeiro' ('Mr. Tambourine Man') e 'Como uma Pedra a Rolar' ('Like a Rolling Stone'). Isso facilitou muito o processo de escolha."

Versões

Essa não foi a primeira vez que Zé Ramalho gravou Dylan. Em 1992, o brasileiro fez uma versão de "Hurricane" para seu álbum "Frevoador" e, nos anos seguintes, registrou interpretações traduzidas de "Tomorrow Is a Long Time" e "Knockin' on Heaven's Door".
Em 2001, fez um disco inteiro em homenagem a outro artista: "Zé Ramalho Canta Raul Seixas", que vê como o início de uma série. "São discos que mostram a minha leitura destes dois artistas que muito me influenciaram, interagindo na obra deles, da maneira como faço. É uma espécie de projeto ('Zé Ramalho Canta'). No futuro, provavelmente sairão 'Zé Ramalho Canta Luiz Gonzaga' e 'Zé Ramalho Canta Jackson do Pandeiro'."
O lançamento sai em duas versões: CD ou DVD, com dez mil exemplares cada um. No DVD, a jornalista Ana Maria Bahiana comenta as canções.

Fonte:
Ivan Finotti
http://www1.folha.uol.com.br

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Réquiem para o Circo - Made in PB




Neste compacto de 1976, Zé declama o texto "O Monólogo do Palhaço" , era do grupo Ave Viola que são seus conterrâneos, o disco era em formato de um poster, ele dobrado em partes formava a capa do compacto.





Visionário Cantador

Com sua guitarra estratosférica
E seu grito cantador 
Zé Ramalho segue o verso e a rima
Do iluminado encantador
Avôhai, padinho Ciço, nosso senhor
Abençoai o visionário
Que traz em seu dicionário 
Palavras de um poeta cantor
Em sua mente tudo brilha
Quando os cometas se alinham 
Se agrupam no seu som
Com seus mistérios e segredos
Desafia sem medo
A filosofia de qualquer doutor 
Enquanto o olho cego vagueia
Procurando o matador
Ele saca sua espingarda 
De seu alforje de caçador
E no céu tudo se ilumina 
Com as luzes de um grã-vizir
Quando o poeta escrevi sua poesia
Espalhando magia
Sobre o chão de giz
É a semente de um poeta
De um visionário cantador
Que semeia no ventre da querubinas
Felinas, o amor
Das mulheres sabe os mistérios
E conhece toda a dor
Delas faz frevo, banquete e flor
Entre a serpente e a estrela
Ali está o grande mistério
Da vida e do amor
Segue a viajar pelo espaço
Com teu som e com teu poetar
Apanha na vila do sucesso 
Teu taxi lunar
Segue o verso e a rima
Do iluminado encantador
Pois essa é tua sina
É o que de fascina
O que te faz ser
O visionário cantador.

Sandro Kretus

O Andarilho da Terra do Fogo
http://recantodasletras.uol.com.br/e-livros/1346801 

sábado, 20 de dezembro de 2008

Mistérios da Meia-Noite

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

O Vento vai Responder

Quantos caminhos se tem que andar

Antes de tornar-se alguém
Quantos dos mares temos que atravessar
Pra poder na areia descansar
Quantas mais balas perdidas voarão
Antes de desaparecerem
Escute o que diz
O vento, my friend
o vento vai responder
Quantas vezes olharemos o céu
Antes de saber enxergar
Quantos ouvidos terá o poder
Para ouvir o povo chorar
Quantas mais mortes o crime fará
Antes de se satifazer
Escute o que diz
O vento, my friend
O vento vai responder
Quantos anos pode uma montanha existir
Antes do mar lhe cobrir
Quantos seres ainda irão torturar
Antes de libertar
Quantas cabeças viraram assim
Fingindo não poderem ver
Escute o que diz
O vento, my friend
O vento vai responder

(Bob Dylan, versão Zé Ramalho)

Batendo na Porta do Céu II

Mãe, tire essas algemas de mim

Me proteja com o seu véu
Está escuro demias pra ver
Me sinto até batendo na porta do céu
Bate, bate, bate na porta do céu
Bate, bate, bate na porta do céu
Mãe tira essas armas pra mim
A camisa e o chapéu
A grande nuvem escura já me envolveu
Me sinto até batendo na porta do céu
Bate, bate, bate na porta do céu
Bate, bate, bate na porta do céu.

(Bob Dylan, versão Zé Ramalho)

Mr. do Pandeiro

My Mister do Pandeiro, toque para mim
Não estou com sono e não tenho onde ir
Hey, Jackson do Pandeiro, toque para mim
E entre as canções desta manhã
Eu poderei te seguir
Sei que, à noite, seus impérios
Desmoronam sobre o chão
Ao toque das minhas mãos
Eu só enxergo na manhã
Um sol de assassinar
O cansaço me atordoa
Enquanto eu ando para o além
Procurando por ninguém
Em velhas ruas, já desertas
Sem poder sonhar
Hey, Mister do Pandeiro, toque para mim
Não estou com sono e não tenho onde ir
Hey, Jackson do Pandeiro, toque para mim
E entre as canções desta manhã
Eu poderei te seguir
Me leve nas viagens
Do seu mágico navio
Eu já cansei deste vazio
As minhas mãos tremem de frio
Mas os meu pés, que o chão feriu
Ainda têm forças pra seguir
O teu caminho
Eu irei onde você quiser
Pelas rotas que tracei
Se o teu canto eu escutei
Enfeitiçado eu fiquei
E sei que já não vou seguir sozinho
Hey, Mister do Pandeiro, toque para mim
Não estou com sono e não tenho onde ir
Hey, Jackson do Pandeiro, toque para mim
E entre as canções desta manhã
Eu poderei te seguir
Se uma gargalhada louca
Esvoaçar pela amplidão
E ecoar sem direção
Alguém vai pensar que são
As muralhas horizonte a desabar
E se alguém ouvir o eco
De uma canção feita em pedaços
Ressoando nos espaços
É só a voz deste palhaço
Que canta, enquanto segue os passos
De uma sombra que ele vive a procurar
Hey, Mister do Pandeiro, toque para mim
Não estou com sono e não tenho onde ir
Hey, Jackson do Pandeiro, toque para mim
E entre as canções desta manhã
Eu poderei te seguir
Vou sumir por entre a névoa
De um delirio enfumaçado
Entre as ruinas do passado
Deixo a folhagem glacial
De um bosque branco e sepulcral
Vou para um mar de vendavais
Longe das barras da tristeza e da aurora
Sob um céu de diamantes
Vou dançar com um menino
Entre o oceano cristalino
E um circo errante e peregrino
Deixo as memórias e o destino
Sumir num abismo sem fim
Quero, amanhã, lembrar que hoje
Eu fui embora
Hey, Mister do Pandeiro, toque para mim
Não estou com sono e não tenho onde ir
Hey, Jackson do Pandeiro, toque para mim
E entre as canções desta manhã
Eu poderei te seguir.

(Bob Dylan, versão Braúlio Tavares)

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Ramalho Dylan: Zé Zimmermam da Paraiba

A possibilidade de um paraibano do Brejo do Cruz ter algo em comum com um judeu norte-americano das planicies geladas do meio-oeste pode parecer insólita até que se realiza que ambos compartilham um profundo amor pela palavra cantada. E que a palavra cantada, no continente americano , viaja rápido e destemidamente, sem tomar conhecimento de fronteiras, nacionalidades e rótulos. Basta olhar para as raiz de seus trabalhos, Zé Ramalho descobrindo repentistas e cordeleiros quando ainda estava no colégio, Robert Zimmermam ouvindo, na mesma época, talking blues do Sul mais profundo. Entre cordel e talking blues estende-se uma ponte muito curta que tem em comum a cultura popular narrativa poética, antiga como os vedas: a possibilidade de contar uma história, fazer um comentário, tecer considerações, evocar memórias, filosofar, delirar, usando uma base harmônica e melódica. Papiros, tabletes, runas e canções.
Em sua geração de compositores/cantores pós-tropicalistas, Zé Ramalho sempre traçou uma curva distinta, enraizada nessa cantoria, nessa cantação, que conta coisas suspensas entre o real e o sonhado, entre vida dura e imaginação febril. Os paralelos , muito naturais, sempre estiveram lá. De certa forma, este é um trabalho muito esperado.
Aqui estão 12 canções do Bob Dylan , vindas de diferentes fases de sua vasta e produtiva carreira, todas reinventadas por Zé Ramalho. Não são apenas as letras que ganharam seu equivalente no português do Brasil, as canções mesmas descobriram novos laços através dos continentes, transformando-se em xotes, baiões, cocos (depois deste disco, talves o
Mr. Tambourine Man nunca mais seja outra pessoa além de Jackson do Pandeiro...). Não são versões , são transfigurações , atos de magia musical e poética, como um mútuo piscar de olhos entre dois grandes artistas populares.

Ana Maria Bahiana

Tá Tudo Mudando



Ao Vivo no Grammy Latino 2008

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Nas Lojas


Finalmente chegou às lojas o tão esperado cd "Tá Tudo Mudando" em qual o Zé homenageia o cantor norte-americano Bob Dylan, que muitos o comparam em virtude de suas letras musicais.
O cd foi produzido por seu amigo Robertinho do Recife, e vai ser comercializado pela EMI ODEON, em 1992 ele já tinha cantado Bob Dylan com a música "Frevoador" (Hurricane) no disco que levava o mesmo nome da música.
No disco ele dá vida às músicas antigas mas a faixa que dá nome ao cd é uma versão de "Things Have Changed" que deu um Oscar a Bob Dylan (Garotos Incriveis), o disco ainda traz a versão de "Blowin in the Wind" (O Vento vai Responder) e "Like a Rolling Stone" (Como uma Pedra a Rolar).
A música que dá nome ao cd é de autoria de Gabriel Moura e Mauricio Baia que assinam também a música Rock Feelinngood e Negro Amor é do baiano Caetano Veloso e a música que mais me chamou a atenção foi a nova versão da música "Batendo na Porta do Céu", que nesta versão tem a genialidade de Geraldo Azevedo e Braúlio Tavares.

O cd está à venda nas Americanas

http://www.americanas.com.br/AcomProd/580/2652465

domingo, 7 de dezembro de 2008

1º no Mundo


Ele vai ter o privilégio de ser o 1º cantor a interpretar a música "Dehra Dun" do beatle George Harrison, a música foi composta no ano de 1968 na India para fazer parte do disco "Álbum Branco" mas a mesma não foi incluida no disco.
A música está no segundo cd da Trilogia "Álbum Branco" do Selo Discobertas, no primeiro cd ele canta a música "Dear Prudence".
Ele foi convidado por ser um grande fã dos Beatles e especialmente de George Harrison



sábado, 6 de dezembro de 2008

Dehra Dun

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