sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Entrevista de 1978

No dia 12 de abril de 1978, o jornal "O Globo" publicou uma longa entrevista com Zé Ramalho feita pela jornalista Ana Maria Bahiana. Dois anos depois, essa mesma entrevista faria parte do livro "Nada será como antes - MPB nos anos 70" (Ed. Civilização Brasileira, 1980) que a jornalista lançaria, contendo várias entrevistas com outros artistas que ela fez ao longo do tempo. A entrevista de Zé Ramalho que transcrevo abaixo, está nas págs, 230/235.


"ZÉ RAMALHO FAZ A SÍNTESE DO NORDESTE" - Ana Maria Bahiana
"Olhos de fogo, rosto anguloso e maníaco, uma cabeleira enorme, dedos ossudos vibrando a viola, voz metálica: quem assistiu à estréia de Alceu Valença em teatro, aqui no Rio, há três anos, recordará muito bem a aparição/intervenção de Zé Ramalho da Paraíba às horas tantas do show desafiando o titular do concerto numa cantoria doida que partia de "Edipiana no. 1"e acabava em "Beija-flor" e "Treme-terra", "Octacílio Batista", "Zé Limeira", o que desse e viesse. Ameaçador. Intenso. Impressionante. Estranhamente, contudo, Zé Ramalho desapareceu logo depois, após uma rixa com Alceu em pleno palco, em São Paulo. Parecia mais uma carreira promissora terminada antes de começar, vitimada pelas já históricas dificuldades do mercado brasileiro.
-Era uma tensão insuportável - Zé Ramalho recorda hoje. - A gente estava em São Paulo numa casa bem atrás do aeroporto, era hélice e turbina o dia inteiro, a gente não conhecia a cidade, só ficava o dia todo, sem perspectiva nenhuma, sem saber o que fazer. Porque aquela excursão tinha lá um monte de nome de gente organizando, promovendo, não é, mas era só nome, mesmo, só pela firma, porque quem fazia tudo era a gente mesmo, era divulgação, montar aparelhagem, tudo. Uma coisa desgastante, aflitiva. E eu estava cada vez mais chocado com a agressividade da coisa toda, o clima de competição, uma coisa desesperada. Aí uma noite, no palco mesmo, em vez de fazer o meu número, que era "Jacarepaguá", me deu vontade de cantar "Vila do Sossego". Ficou um clima estranho, o Alceu se zangou, houve violas quebradas, mas nenhum escândalo. As pessoas acharam que era do show. E eu voltei pra Paraíba, pra pôr minha cabeça no lugar, juntar os pedaços.
Hoje, Alceu canta a violenta "Vila do Sossego"em seus shows, como homenagem ao companheiro: "Em seus papiros Papillon já me dizia/que nas torturas toda carne se trai/e normalmente, comumente, fatalmente, displicentemente/o nervo se contrai/com precisão".
E Zé Ramalho da Paraíba estréia hoje enfim em disco - pelo novo selo Epic, o "progressivo"da gravadora CBS - e, em concerto até domingo, no Teatro Tereza Raquel. Curiosamente cercado, já, por muito falatório tipo expectativa, e a escolha pelos leitores do Jornal da Música, como revelação de compositor de 1977.
-Não lamento nada do que fiz. Acho que faria tudo de novo, inclusive os erros. A palavra mais importante, pra mim, é síntese. Fiz uma síntese dos erros, e isso foi muito bom. Eu não acho ruim que as coisas sejam difíceis, batalhadas. Se fosse fácil, menina, já viu o que ia ter de qualquer um aí se achando o máximo, mandando ver. Tem de ser duro, mesmo, porque isso é que faz teu trabalho crescer, faz você ver se tem valor mesmo, se acredita no que faz.
A história de Zé Ramalho da Paraíba é tão estranha e intensa como sua música - e, como sempre a explica. Na sua música, os sons vêm expresso do sertão, secos e incisivos, mesmo quando interpretados por guitarras ou sintetizadores. E as letras causam espanto para quem não conhece a maravilha do repente, fonte onde Zé Ramalho bebe com frequência e humildade. São martelos, mourões, sextilhas, quadras - rigorosamente no estilo, rigorosamente alucinadas como é a melhor poesia do sertão, e urgentemente contemporâneas. Dizendo, por exemplo: "Se eu calei foi por tristeza/você cala por calar/calado vai ficando/só fala quando eu mandar/rebuscando a consciência /como meio de viajar/até a cabeça do cometa/girando na carrapeta/no jogo de improvisar ("Avôhai").

domingo, 29 de novembro de 2009

Admirável Gado Novo

sábado, 28 de novembro de 2009

O Herdeiro de Avohai


Dirigido e produzido pelo jornalista e documentarista paraibano Elinaldo Rodrigues, o filme é pontuado por referências às fases que constitutem a formação e origem da pessoa e do artista.

Das origens de menino pobre nascido na cidade de Brejo do Cruz, no sertão paraibano, ao sucesso nacional, a saga e a obra de Zé Ramalho remetem a desafios pessoais e coletivos, como também interligam as influências regionais com a cultura além fronteiras. Entre desafios e superações, Zé Ramalho transpassou limites, até se tornar um patrimônio nacional.

Hoje, dentre milhares de admiradores de todas as idades, gerações após gerações têm comprovado que esse visionário da música brasileira criou uma obra de caráter universal.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Dueto com Raul

Dueto com Raul

Zé Ramalho Fala Sobre Raul Seixas

Zé Ramalho Fala Sobre Raul Seixas

Zé Ramalho Fala Sobre Raul Seixas

aul

sábado, 3 de outubro de 2009

60 Anos


A voz do apocalipse. O Bob Dylan do agreste. O último profeta. Todos eles são o mesmo paraibano de Brejo do Cruz, José Ramalho Neto, que hoje completa exatos 60 anos. Da infância difícil no sertão, foi resgatado pelo avô, que assumiu o papel de pai quando o legítimo morreu afogado num açude. Mais tarde, o avô foi eternizado na mítica Avôhai pelo neto músico que desistiu de ser o neto doutor.

Zé Ramalho chegou a cursar Medicina, porém, no segundo ano, percebeu que estava predestinado à música. Hoje, são mais de 40 anos de carreira. Atualmente, está em estúdio participando da trilha sonora do filme "O Bem Amado" e, numa brecha, falou com a reportagem:

Como é a trilha de "O Bem Amado"?

ZÉ RAMALHO - Canto um dos temas. Provavelmente, a música de João do Vale, Carcará, tema de Zeca Diabo. Também participo de vários lançamentos do selo Discobertas, em que interpreto algumas canções dos Beatles.

Conte como era seu avô. Ele viveu para vê-lo se tornar um músico de sucesso?

ZÉ RAMALHO - Ele não viu a carreira decolar, mas chegou a ouvir a música Avôhai. Cantei a música diretamente para ele durante reunião de artistas na minha casa, em João Pessoa. Ele escutou sentado, apoiando o queixo em sua bengala. Não disse nada, mas a ouviu inteira e todos sabiam que ele estava entendendo. Ele me ensinou coisas básicas, como amar a natureza, não maltratar os animais e ser honesto.

Até que ponto a cocaína foi catalisadora de sua criatividade e em que momento passou a ser prejudicial?

ZÉ RAMALHO - No início, era envolvente, o organismo estava recebendo essa ‘invasão alienígena'' e era manifestada em músicas, como Frevo Mulher, Galope Rasante, A Terceira Lâmina. Mas com o passar do tempo, ela passou a confundir e me escravizar.

Você disse em entrevista recente que não chegou a ser garoto de programa, mas que havia garotas que dormiam com você. Você dormia com elas em troca de teto e comida, ou de grana mesmo?

ZÉ RAMALHO - As duas coisas. Não era uma cobrança, mas era percebido pelas minhas ‘amigas'', que penalizadas com a minha situação, me davam alguns valores em dinheiro para eu me virar. Esses fatos inspiraram a canção Garoto de Aluguel.

Depois da experiência com alienígenas em Avôhai, você teve outro contato do gênero?

ZÉ RAMALHO - Não. Só em sonhos. Sonho frequentemente com discos voadores, o que não deixa de ser uma revelação, pois foi a presença alienígena que senti durante a experiência que resultou em Avôhai. Foi única, espiritual e mediúnica.

Se você fosse fazer uma trilha sonora que resumisse musicalmente esses 60 anos de vida, quais músicas escolheria?

ZÉ RAMALHO - Começaria por Disparada, do Vandré. Meu autorretrato é uma música que o Mautner fez para mim e que deu título ao meu quinto disco, Orquídea Negra. É como se ele me dissesse: "Zé, você é a orquídea negra, que brotou da máquina selvagem, e o anjo do impossível plantou como nova paisagem"... Tem uma música minha, Beira-Mar, que diz: "E até que a morte eu sinta chegando, prossigo cantando." É o começo, o meio e o fim. Vou parafrasear Bob Dylan: "Me sinto como se estivesse no meio do caminho. Vamos para os próximos 60 anos!"


Fonte:

Diário do Grande ABC


Na cabeça do cometa, girando na carrepeta...


Há exatos 60 anos, na madrugada do dia 3 de outubro de 1949, no município de Brejo do Cruz, no Sertão Paraibano, distante 458 quilômetros de João Pessoa, sob a luz de candeeiro, ao som do pio da coruja, e com o cordão umbilical cortado a peixeira, nascia José Ramalho Neto, o futuro cantor e compositor Zé Ramalho, de estilo inigualável, filho do poeta e seresteiro Antônio de Pádua Pordeus Ramalho e da professora Estelita Torres Ramalho.
O compositor paraibano é um dos grandes representantes Foto: Divulgaçao/DB/D.A Press A morte do pai, por afogamento, no açude de Poços, torna a vida da família muito mais difícil, obrigando dona Estelita a entregar Zé Ramalho aos cuidados dos avós, José e Soledade Alves Ramalho, o Avôhai, este, o mentor que educa o menino e o apresenta à fascinante paisagem sertaneja. O menino cresce na fazenda de Avôhai (contração das palavras "avô" e "pai"), em contato com as exóticas fauna e flora, ouvindo lendas e cantadores da região.
Nos primeiros anos da década de 50, morando, agora, em Campina Grande, Zé Ramalho começa a se interessar por assuntos bíblicos, mitologia greco-romana, cantoria e literatura de cordel, temas e elementos musicais centrais de suas primeiras composições como artista profissional. No início dos 60, a família o envia para João Pessoa, onde passa no vestibular e começa a estudar medicina na Universidade Federal da Paraíba.
Na capital, Zé Ramalho atiça o fogo que faz ferver o seu caldeirão cultural, ouvindo todo tipo de música que brotasse no terreiro da inquietação, de Roberto Carlos aos Beatles e Jimi Hendrix, de Renato e seus Blue Caps a Bob Dylan e Rolling Stones, de Raul Seixas a Pink Floyd. Transforma-se em assíduo espectador de "filmes de arte", e consome com avidez poesia modernista e literatura esotérica, de Carlos Drummond de Andrade a Carlos Castãneda.
No Colégio Marista Pio X, cria com amigos o grupo Os Jets. Desfeito o grupo, entra para Os Quatro Loucos, liderado por Vital Farias, uma das bandas da era de ouro dos bailes da cidade, passando, ainda, como guitarrista, por Os Demônios eThe Gentlemen. No início dos anos 70, o filme Woodstock, de Michael Wadleigh, injeta o ideário da contracultura definitivamente em sua cabeça. Zé Ramalho, agora, quer voar...

As primeiras canções

Isolado em sua "Vila do Sossego", na praia do Cabo Branco, Zé Ramalho compõe, em 1974, Zé Ramalho, algumas das músicas que, logo mais, injetaria sangue novo na corrente sanguínea da música popular brasileira, entre elas,"Avôhai", "Chão de Giz" e "Vila do Sossego". Com The Gentlemen grava um disco pela extinta gravadora Rozenblit, do Recife (PE), e o lendário álbum Paêbiru, com Lula Côrtes, inspirado nas inscrições da Pedra de Ingá.
Ao participar do filme Nordeste: Cordel, Repente e Canção, de Tânia Quaresma, Zé Ramalho (re)descobre sua afinidade com o romanceiro popular nordestino. Numa atitude antropofágica, mistura rock e repente, cordel e poesia moderna, e, deste amálgama de linguagens, nasce o seu estilo musical único, inconfundível, que dali a pouco, balizado pela voz gutural e um visual de hippie-profeta, iria não só encantar, mas inquietar o Brasil.

O sucesso e a queda

Em novembro de 1977, Zé Ramalho entra finalmente no estúdio da CBS para gravar, em oito canais, Zé Ramalho, seu disco de estréia. Entre os músicos convidados, Patrick Moraz (ex-Yes) e Sérgio Dias (ex-Mutantes). O álbum é lançado no ano seguinte, e a "estranheza" provocada por faixas como "Avôhai", "Vila do Sossego", "Chão de Giz" e "A Dança das Borboletas", chamaram a atenção do público e da crítica.
Mas o sucesso, mesmo, só viria em 1979, com o disco A peleja do diabo com o dono do céu, com a faixa título, "Frevo mulher", "Admirável gado novo" e "Garoto de aluguel" incendiando de vez o país. Morando em Fortaleza (CE), mas cruzando o Brasil de norte a sul e de leste a oeste para atender o crescente público que querem vê-lo ao vivo, Zé Ramalho grava o visionário A terceira lâmina (1981) e o polêmico Força verde (1982), que o derruba do cometa.
Acusado de plágio ao musicar, com o título "Força Verde", uma história de Hulk publicada pela Marvel Comics (na verdade, um poema do irlandês William Beats Yeats), Zé Ramalho é crucificado pela imprensa e inicia um longo período de crise, ingressando no inferno das drogas. Sai de Fortaleza e refugia-se no Rio. Grava Orquídea negra (1983), Por aquelas que foram bem amadas ou... pra não dizer que não falei de rock (1984), mas o ostracismo permanece.
Os álbuns lançados entre 1985 e 1987 - De gosto, de água e de amigos, Opus visionário e Décimas de um cantador - também não acontecem. O vento da sorte começa novamente a soprar a favor do artista em 1985, quando a Rede Globo encomenda a Zé Ramalho uma música para a trilha sonora da novela Roque Santeiro.


Fonte:
Diário de Natal

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

O Poeta dos Abismos


Zé Ramalho, o Poeta dos Abismos, revela a intimidade da vida e da obra de Zé Ramalho, um dos grandes nomes dentro da MPB. A trajetória de um dos mais enigmáticos personagens já surgidos no panorama musical Brasileiro, pela primeira vez vem a público em profundidade. A natureza do processo inspirativo, as diversas fases de sua carreira, suas origens e a herança cultural nordestina- base da sua musicalidade-, as parcerias, entrelaçadas neste depoimento inédito.

A vida e a obra de Zé Ramalho se mesclam, formando um processo único e indiferenciado.

“ Árdua é a tarefa do poeta abissal: tentar traduzir, através de palavras- limitadas por sua própria natureza- realidades inefáveis, dinâmicas, fluidas. Vivencias profundas, intimas, pessoais, que encerram ao mesmo tempo um caráter coletivo e universal.

Eis o que distingue o trabalho de Zé Ramalho: a capacidade de retratar a pluridimensionalidade das profundas realidades do ser, sem comprometê-las, preservando sua integralidade. Sua poesia nos conduz em uma viagem interior, em direção a camadas cada vez mais profundas da psique. Este mergulho nas zonas abissais acaba nos levando a extratos mentais anteriores a lógica e à razão , reduto de imagens arquetipais primordiais , imagens estas que ele traduz através de símbolos multifacetados, com diferentes níveis de significação.”

O livro se divide em três partes: na primeira, autobiográfica, Zé Ramalho expõe sua vida, sua trajetória e a natureza de seu processo criativo. A segunda parte é composta de depoimentos de seus companheiros de jornada: Elba ramalho, Alceu Valença, Geraldo Azevedo, etc... Na terceira parte, o autor explora o simbolismo presente na poesia de Zé Ramalho, permitindo aflorar sua natureza mais profunda e visionária.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Zé Ramalho Canta Luiz Gonzaga



Este é o nome do mais novo cd de Zé Ramalho que deve chegar ainda este mês as lojas, como o cd duplo lançado ano passado pelo Selo Discobertas com o nome Zé Ramalho da Paraiba, o cd foi produzido por Marcelo Froes, mas dessa vez vai ser distribuido pela poderosa Sony Music, as músicas já confirmadas da homenagem ao Rei do Baião são essas:
  • ABC do Sertão (Xuxa)
  • Amanhã eu Vou
  • Asa Branca
  • Fica Mal com Deus (Luiz Gonzaga)
  • Não Vendo e Nem Troco (Dominguinhos)
  • Pau de Arara (Domiguinhos)
  • Não Vendo e Nem Troco (Dominguinhos)
  • No Meu Pé de Serra
  • Parai-ba


segunda-feira, 11 de maio de 2009

O Herdeiro de Avohai

O documentário de Elinaldo Rodrigues sobre Zé Ramalho com o nome "Zé Ramalho - O Herdeiro de Avohai" foi lançado ontem no "Festival de Cinema dos Paises de Lingua Portuguesa" na cidade de João Pessoa, nele é contado desde a sua infância pobre em Brejo do Cruz até o seu apogeu na música popular brasileira, fazendo referência às fases que constituem a sua formação e sua origem da pessoa e do artista, contando também as aventuras e desventuras de sua juventude em Brejo do Cruz, Campina Grande e João Pessoa onde começou de vez sua carreira musical sendo influenciado pela Jovem Guarda, os bailes, o rock americano e inglês e a literatura surrealista e por fim fala de sua luta para poder entrar de vez no mercado da música no eixo Rio - São Paulo, no filme também tem depoimentos de seua amigos como Alceu, Elba e Geraldo Azevedo

quarta-feira, 6 de maio de 2009

MÚSICAS

  • A DANÇA DAS BORBOLETAS
  • A HISTÓRIA DO JECA QUE VIROU ELVIS PRESLEY
  • A INACABADA PARA O POVO BRASILEIRO
  • A NAVE INTERIOR
  • A NOITE PRETA
  • A PELEJA DE ZÉ LIMEIRA NO FINAL DO SEGUNDO MILÊNIO
  • A PELEJA DO DIABO COM O DONO DO CÉU
  • A TERCEIRA LÂMINA
  • A ÚNICA COISA QUE EU QUERO
  • ABC DO SERTÃO
  • ABSURDOS BLUES
  • ACREDITE QUEM QUISER
  • ADEUS SEGUNDA-FEIRA CINZENTA
  • ADMIRÁVEL GADO NOVO
  • AGÔNICO
  • AGÔNICO - O CANTO
  • AGUACEIRO
  • ÁGUAS DE MARÇO
  • ALDEIAS DA BORBOREMA
  • ALFORRIA
  • AMÁLGAMA
  • AMAR QUEM EU JÁ AMEI
  • ANANIAS E O CAVALO
  • APRENDENDO A VENCER
  • AS APARÊNCIAS ENGANAM
  • AS AVENTURAS DE RAUL SEIXAS NA CIDADE DE THOR
  • ASA BRANCA
  • ASTRO VAGABUNDO
  • ATRÁS DO BALCÃO
  • AVE DE PRATA
  • AVÔHAI
  • BAIÃO
  • BAILADO DAS MUSCARIAS
  • BANDEIRA DESFRALDADA
  • BANQUETE DE SIGNOS
  • BATENDO NA PORTA DO CÉU
  • BEIJO MORTE BEIJO
  • BEIRA-MAR
  • BEIRA-MAR CAPITULO FINAL
  • BEIRA-MAR CAPITULO II
  • BETE BALANÇO
  • BICHO DE 7 CABEÇAS
  • BIENAL
  • BOIADEIRO
  • BOMBA DE ESTRELAS
  • BOTAS DE SETE LÉGUAS
  • BOTÕES DE OSSO
  • BRAVO CANTADOR
  • BREJO DO CRUZ
  • CAÇADOR DE MIM
  • CADA UM DÁ O QUE TEM
  • CANÇÃO AGALOPADA
  • CANTIGA DO SAPO
  • CARCARÁ
  • CAVALOS DO CÃO
  • CHAMANDO O SILÊNCIO
  • CHÃO DE GIZ
  • CHICLETE COM BANANA
  • CHUVA PESADA
  • CIDADÃO
  • CIDADES E LENDAS
  • COCO DO TROCADILHO
  • COISAS BOAS E MAIS
  • COMPANHEIRA DE ALTA LUZ
  • CORAÇÃO BOBO
  • CORAÇÃO DE RUBI
  • CORAÇÕES ANIMAIS
  • CRISTAIS DO TEMPO
  • CULTO À TERRA
  • DA MÃE
  • DANÇA DAS LUZES
  • DAS MARAVILHAS
  • DE GOSTO, DE ÁGUA E DE AMIGOS
  • DÉCIMAS DE UM CANTADOR
  • DENTADURA POSTIÇA
  • DESEJO DE MOURO
  • DIAS DOS ADULTOS
  • DIGITADO EM POESIA
  • DISPARADA
  • DO MUITO E DO POUCO
  • DO TERCEIRO MILÊNIO PARA A FRENTE
  • DOGMÁTICA
  • DOMINÓ
  • DONA CHICA
  • DUPLA FANTASIA
  • É PRATICANDO NA VIDA QUE MUITO VAI APRENDER
  • ELE DISSE
  • EMBOLADA VIOLADA
  • ENTRE A SERPENTE E A ESTRELA
  • ERA DOMINGO
  • ERRARE HUMANUM EST
  • ETERNAS ONDAS
  • EU NASCI HÁ DEZ MIL ANOS ATRÁS
  • EU VOU PRA LUA
  • FALAS DO POVO
  • FALIDO TRANSATLÂNTICO
  • FAROL DOS MUNDOS
  • FICA MAL COM DEUS
  • FILHOS DE ICARO
  • FILHOS DO CÂNCER
  • FISSURA
  • FORÇA VERDE
  • FORROBODÓ
  • FRÁGIL
  • FREVO MULHER
  • FREVOADOR
  • GALOPE RASANTE
  • GAROTO DE ALUGUEL
  • GARROTE FERIDO
  • GEMEDEIRA
  • GOTHAM CITY
  • HARPA DOS ARES
  • HINO AMIZADE
  • HINO DE DURAN
  • HINO NORDESTINO
  • HOW COULD I KNOW
  • IMBALANÇA
  • INTROITO À NAÇÃO
  • JACAREPAGUÁ BLUES
  • JARDIM DAS ACÁCIAS
  • KAMIKAZE
  • KRYPTÔNIA
  • LAMENTO SERTANEJO
  • LEVA EU SODADE
  • LITÚRGICA
  • LOUVAÇÃO À IEMANJÁ
  • LUA SEMENTE
  • LUZ DA EXCELÊNCIA
  • MADE IN PB
  • MALANDRAGEM DÁ UM TEMPO
  • MARACAS DE FOGO
  • MARTELO DOS 30 ANOS
  • MARTELO RAP ECOLÓGICO
  • MARY MAR
  • MENINAS DE ALBARÃ
  • MENINOS DO SERTÃO
  • MESMO QUE SEJA EU
  • MESTIÇA
  • METAMORFOSE AMBULANTE
  • METRÓPOLIS DOURADA
  • MEU BEM QUERER
  • MEU CARIRI
  • MIRAGENS
  • MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE
  • MODIFICANDO O OLHAR
  • MONTARIAS SENSUAIS
  • MORCEGUINHO
  • MOTE DAS AMPLIDÕES
  • MOURÃO VOLTADO EM QUESTÕES
  • MR. TAMBOURINE MAN
  • MUCURIPE
  • MULHER NOVA, BONITA E CARINHOSA FAZ O HOMEM GEMER SEM SENTIR DOR
  • MULHERES
  • NÃO EXISTE MOLHADO IGUAL AO PRANTO
  • NÃO QUERO DINHEIRO
  • NÃO VENDO E NEM TROCO
  • NAPALM
  • NAS PAREDES DA PEDRA ENCANTADA
  • NESSE BRASIL CABÔCO DE MÃE PRETA E PAI JOÃO
  • NO PÉ DE SERRA
  • NONA NUVEM
  • NUMBER 9
  • O AMANHÃ É DISTANTE
  • O APOCALIPSE DE ZÉ LIMEIRA
  • O AUTOR DA NATUREZA
  • O CANTO DA EMA
  • O GOSTO DA CRIAÇÃO
  • O MEU PAÍS
  • O MONTE OLIMPIA
  • O NORTE DO NORTE
  • O QUE É O QUE É
  • O QUE VALE PARA SEMPRE
  • O REI DO ROCK
  • O SILÊNCIO DOS INOCENTES
  • O TOLO NA COLINA
  • O TREM DAS 7
  • O TRENZINHO DO CAIPIRA
  • O XOTE DAS MENINAS
  • OH! PECADOR
  • OLHARES SEM DESTINO
  • OMM
  • ORQUIDEA NEGRA
  • OXIGÊNIO
  • OS SEGREDOS DE SUMÉ
  • OS ÚLTIMOS DIAS
  • OURO DE TOLO
  • PAI E MÃE
  • PAISAGEM DA FLOR DESESPERADA
  • PARA CHEGAR MAIS PERTO DE DEUS
  • PARA RAUL
  • PARA UM AMOR NO RECIFE
  • PARAÍBA
  • PARALELAS
  • PARCERIA
  • PÁSSAROS NOTURNOS
  • PASSOS DO MUNDO
  • PAU-DE-ARARA
  • PEDRAS E MOÇAS
  • PEDRAS QUE CANTAM
  • PEDRA TEMPLO ANIMAL
  • PELO VINHO E PELO PÃO
  • PELOS TELEFONES
  • PEPITAS DE FOGO
  • PISA NA FULÔ
  • PLANETA ÁGUA
  • PLANOS DE PAPEL
  • PORTA DE LUZ
  • PRA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DAS FLORES
  • PRELÚDIO
  • PROCURANDO A ESTRELA
  • PROFETAS
  • QUASAR DO SERTÃO
  • QUI NEM JILÓ
  • RAGA DOS RAIOS
  • RAP-XOTE ESOTÉRICO
  • ROMARIA
  • S.O.S
  • SANGUE E PUDINS
  • SÃO SEBASTIÃO DO RODEIRO
  • SEBASTIANA
  • SEM TERRA
  • SENSAÇÕES BRANCAS
  • SENSUAL
  • SERES ALADOS
  • SERPENTÁRIA
  • SINÔNIMOS
  • SUMÉ
  • SÚPLICA CEARENSE
  • TAMARINEIRA VILLAGE
  • TÁXI-LUNAR
  • TEIMA-TEIMA
  • TEMPORAL
  • TEMPOS MODERNOS
  • TRILHA DE SUMÉ
  • TUA LAÇADA
  • TUDO QUE EU FIZ FOI VIVER
  • ÚLTIMO PAU-DE-ARARA
  • UM A UM
  • UM CORPO QUE SAI
  • UM INDIO
  • UM LUGAR PARA SONHAR
  • UM PEQUENO XOTE
  • VENDEDOR DE CARANGUEJO
  • VERMELHOS
  • VILA DO SOSSEGO
  • VIOLANDO COM HERMETO
  • VIOLAR
  • VISIONÁRIA
  • VISÔES DE ZÉ LIMEIRA SOBRE O FINAL DO SÉCULO XX
  • VOA, VOA
  • VOCÊ AINDA PODE SONHAR
  • ZÉ LIMEIRIANDO
  • XOTE DOS POETAS
  • ZYLIANA

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Frevo Mulher

A Terceira Lâmina

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Entrevista (1994)


Em nossa edição nº 03, de junho de 1994 tivemos o prazer de entrevistar um dos maiores músicos da história da MPB, o cantor, compositor e instrumentista paraibano Zé Ramalho. Ele nos recebeu gentil e humildemente na sala de estar do Grande Hotel Itaúna onde gravamos a presente entrevista. Nela o músico nos fala sobre seu trabalho e de suas crenças e filosofias.

Por Pepe CHAVES

& Adilson RODRIGUES

 

Via Fanzine: Essa sua turnê tem passado por onde? Ela representa o lançamento de um novo disco?

Zé Ramalho: Neste Período de São João, mês de junho, eu estou no Nordeste. Amanhã mesmo estarei lá em Caruaru me apresentando. Quanto ao disco novo, ele já está pronto, eu estou só aguardando o melhor momento para lançá-lo.

Via Fanzine: Temos uma loja de discos usados aqui em Itaúna [A loja era a Disco Pirata, de propriedade de Pepe e Adilson] e seus discos, principalmente os mais antigos não param nas prateleiras. Você tem conhecimento dessa boa aceitação?

Zé Ramalho: Sim. Talvez por Minas Gerais ser o Estado do Brasil em que eu mais me apresento. As pessoas aqui são muito carinhosas comigo, com o meu trabalho. Isso me deixa muito contente e reconhecido por trabalhar neste Estado. Então, cada vez que venho aqui eu sinto mais alegria, mais confiança e mais inspirado pelo o que as pessoas me transmitem.

Via Fanzine: O que mudou na sua música, do início de sua carreira até hoje?

Zé Ramalho: As pessoas me interrogam sobre a forma que eu escrevo, que elaboro minhas poesias. Isso sempre foi a minha forma natural, isto é; as coisas ficaram diferentes. Quanto eu vim morar no Rio de Janeiro é que fui absorver as grandes cidades e a força que elas têm. Provavelmente, isso me trouxe outros temas, pensamentos e filosofias. Mas, acredito que o Zé Ramalho permanece o mesmo. A música continua a ser a forma como eu vejo, a forma de escrever, um certo mistério, uma certa filosofia zen...

Via Fanzine: Por falar nisso, você tem alguma religião? Pois sua música tem um conteúdo bastante religioso.

Zé Ramalho: Eu fui criado na religião católica, porém hoje em dia, depois destes anos todos, já fiz 44 anos, eu vejo uma necessidade em cada pessoa de encontrar uma forma, procurar entender a razão deste mundo. Muitos pregam a verdade e todas as verdades conduzirão a um rumo só. Eu não sou ateu, contudo, respeito todas as religiões, mas não pratico nenhuma.

Via Fanzine: O que significa ‘Avôhai’?

Zé Ramalho: Quando eu fiz esta música eu criei esta palavra. Ela significa avô e pai. É uma espécie de homenagem ao meu avô, que foi a pessoa que me criou. Ele fazia o papel de avô e de pai. Meu pai morreu muito jovem, nos açudes do sertão, morreu afogado quando eu era garotinho. Então foi meu avô que me educou, foi quem me ensinou a seguir o caminho do bem, a batalhar minhas coisas. Eu me inspirei na imagem dele. E me chegou a palavra [Avôhai]... Ao mesmo tempo ela é interpretada pelas pessoas que a ouvem das mais diversas formas. É uma coisa muito mística também, representa a continuidade da espécie, ou seja, passar a sabedoria de uma geração para a outra... O avô passa para o pai, que passa para o filho e aí por diante...

Via Fanzine: O Patrick Morraz, ex-tecladista da banda Yes gravou com você em “Avôhai”. Como aconteceu o seu encontro com ele?

Zé Ramalho: Foi uma sorte muito grande minha, pois o produtor do meu primeiro disco, Carlos Alberto Sion, estava acabando de produzir um disco do Patrick Moraz no Brasil. Daí ele ouviu a música “Avôhai” e me perguntou se eu achava boa idéia o Patrick participar. E realmente era boa mesmo a música, para o Patrick ouvir e ter gravado. Ele Gostou muito. Ele parecia ser uma pessoa muito gentil, tanto que quando eu lhe disse que a música estourou, ele ficou muito feliz. Um ano depois, jantando com Patrick, ele me apareceu com um disco na mão me pedindo um autógrafo para a mulher dele, que era uma brasileira que morava na Suíça. Aquilo me deixou muito orgulhoso ao ver como ele gostou e saber que a música foi o maior sucesso.

Via Fanzine: Você gravou a música “Cidadão” do mineiro Zé Geraldo, ela voltou para as paradas de sucesso. Você pretende gravar outros compositores?

Zé Ramalho: Olha, de uma certa forma eu sempre gostei de gravar outros intérpretes. Se você observar, a partir do sexto ou sétimo disco eu comecei a regravar músicas de outras pessoas. Tanto que regravei Caetano Veloso, Chico Buarque, Belchior e Raul Seixas. Às vezes escolho uma música pelo fato de me identificar com ela. “Cidadão” as pessoas me pediram muito para regrava-la, pessoas da gravadora, os fãs... Eu deixei passar muito tempo e regravei 10 anos depois da gravação original de Zé Geraldo, que eu acho a gravação mais bonita dele. Contudo minha gravação é uma forma diferente, é muito Nordeste, aquela história tão bonita, tão penosa, tão sofrida desse pessoal que trabalha na construção.

Via Fanzine: Que tipo de música você está ouvindo ultimamente?

Zé Ramalho: Pouca coisa, ultimamente eu tenho escutado mais o silêncio [risos], pelo fato dessa etapa da minha vida agora estar assim, num processo, não de pouca criatividade, mas não tenho necessidade de ficar concentrado. Estou lendo pouco e ouvindo pouco, estou me dedicando à minha família, aos meus filhos. Estamos esperando mais um neném, que vai nascer agora. Isto me dá uma tranqüilidade e um prazer muito grande.

Via Fanzine: Qual é o seu candidato à presidência da República? [Referimo-nos às eleições presidenciais de outubro de 1994, primeira disputa FHC X LULA].

Zé Ramalho: Nenhum! Eu sou uma pessoa apolítica. Gosto de ser alienado nessas horas. Não acredito em nada disso e prefiro desta forma. Assim, prefiro não me envolver, porque não acredito em nada dessas coisas.

 

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

PARCERIAS

  • Alceu Valença
  • Alcymar Monteiro - Miragem
  • Banda Calypso - Pássaros Noturnos
  • Belchior - Garoto de Aluguel
  • Beto Brito - Zé Limeiriando
  • Bezerra da Silva - Coco do Trocadilho
  • Boca Livre - Gotham City
  • Carlos Maltz - Passos do Mundo
  • Cascabulho
  • Chitãozinho e Xororó - Sinônimos
  • Cidade Negra - Chamando o Silêncio
  • Daniela Mercury - Procurando a Estrela
  • Dominguinhos -Não Vendo e Nem Troco
  • Doryval Caymmi
  • Edmilson Duarte
  • Elba Ramalho - Ave de Prata
  • Eustáquio Senna
  • Erasmo Carlos - O Tolo na Colina
  • Fágner - Astro Vagabundo
  • Falcão - Guerra de Facão
  • Fênix - Avohai
  • Flávio José - Parai-ba
  • Forró Força Livre - Mulher Nova Bonita e Carinhosa Faz o Homem Gemer sem Sentir Dor
  • Frejat - Tua Laçada
  • Geraldo Azevedo - O Amanhã é Distante
  • Glorinha Gadelha - A Inacabada para o Povo Brasileiro, Teima-Teima
  • Ivete Sangalo
  • Jackson do Pandeiro
  • Jorge Cabeleira - Os Segredos de Sumé
  • Jorge Mautner - Negro Blues
  • Jota Quest - Oxigênio
  • João Batista do Vale - O Canto da Ema
  • João do Valle - Morceguinho
  • Lordose pra Leão - Ananias e o Cavalo
  • Luiz Gonzaga - Fica mal com Deus
  • Lula Côrtes
  • Maria Lúcia Godoy
  • Marinês -Meu Cariri
  • Oswaldo Montenegro - Anjos e Demônios
  • Paralamas do Sucesso - Mormaço
  • Paulinho Boca de Cantor
  • Paulinho Moska - Pedras que Cantam
  • Paulo César Barros
  • Pitty - A Nave Interior
  • Rastapé - Segredo
  • Renato e Seus Blues Caps - Mr. Tambourine Man
  • Ricardo Vilas - Aguaceiro
  • Roberta de Recife - Os Segredos de Sumé
  • Robertinho do Recife - Táxi Lunar
  • Sandra de Sá - O Norte do Norte
  • Segredo de Estado - Vila do Sossego
  • Sepultura - A Dança das Borboletas
  • Sivuca 
  • Tetê Spindola - Águas de Março
  • Zeca Baleiro - Bienal
  • Zélia Duncan - Porta de Luz
  • Zezé Motta
  • Waldonys - Chiclete com Banana
  • Wanderléia - Mulheres
  • Xuxa - ABC do Sertão

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Zé e Paralamas homenageiam João Pessoa


No disco dos Paralamas do Sucesso (Brasil Afora) que vai ser lançado este mês pela Emi, Zé Ramalho vai ter uma participação especial com a faixa "Mormaço" na qual homenageia a capital paraibana João Pessoa.





“Mormaço”
(Letra: Herbert Vianna/Música: Herbert Vianna/Bi Ribeiro/João Barone)

Está lá ao deus dará
Na costa da Paraíba
Na barcaça em Propriá
E a ferrugem nessa trilha

Não circula nem o ar
No mormaço da miséria
Quem luta pra respirar
Sabe que essa briga é séria

Dá um laço e lança o sal
Passa ao largo em João Pessoa
Tece a vida por um fio
Desce ao rio e fica à toa

Dentro ou distante do mar
Num país tão continente
Tanta história pra contar
Nas quais se conta o que se sente

De onde foge, pr’onde vai
Nesta vertigem de cores
O que falta e o que é demais
Quais seus mais ricos sabores 
Dá um laço e lança o sal
Passa ao largo em João Pessoa
Tece a vida por um fio
Desce ao rio e fica à toa

Por ti tento acender
Outra luz em nossa casa
Lembro que sempre sonhei
Viver de amor e palavra

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Coração Bobo

sábado, 31 de janeiro de 2009

Companheira de Alta Luz

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

A Dança das Borboletas

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Cidadão

In My Life

domingo, 25 de janeiro de 2009

Entre a Serpente e a Estrela

A Volta da Asa Branca

Beira-Mar Capitulo Final

Jardim das Acácias

Porta de Luz

sábado, 24 de janeiro de 2009

Chamando o Silêncio

Metamorfose Ambulante

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Paêbiru, o Nº 1 do Brasil

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Procurando a Estrela

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Mr. do Pandeiro

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Programa Altas Horas


No sábado (24) ele vai ser a principal atração do Programa Altas Horas da Rede Globo, comando por Serginho Groisman, cantando as músicas "O Vento vai Responder", "Tá Tudo Mudando" e "O Amanhã é Distante".

Caminho das Indias


Novamente ele emplaca uma música no horário nobre da Globo, agora com a música "O Vento vai Responder", na novela Caminho das Indias.

Video

http://ramalheando.blogspot.com/2009/01/o-vento-vai-responder_15.html

Trailer do Documentário Paêbiru

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Knockin'on Heaven's Door

domingo, 18 de janeiro de 2009

Zé Ramalho e os ET's

sábado, 17 de janeiro de 2009

Medley

Negro Amor

Não Pense Duas Vezes, Tá Tudo Bem

Batendo na Porta do Céu II

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

If not for you

Rock Feelingood

O Amanhã é Distante

O Vento vai Responder

Como uma Pedra a Rolar

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Bob Dylan de Sanfona

A dura sinceridade de Like a Rolling Stone a transformou em uma das canções mais contestadoras de todos os tempos. Após quatro décadas da gravação original, Zé Ramalho traduziu os mesmos versos desoladores que Bob Dylan cantara em 1967. Resultado: a versão chamada Como Uma Pedra Rolar é o destaque de um dos melhores lançamentos deste fim de ano, o álbum do cantor nordestino dedicado a músicas do norte-americano.
O recém-lançado Zé Ramalho Canta Bob Dylan já valeria somente pela faixa acima citada. Mas o autor reservou muito mais. Para quem nasceu em Brejo do Cruz, interior da Paraíba, Jackson do Pandeiro é o Mr. Tambourine Man da clássica canção de Dylan. A citação ao sambista, conterrâneo de Zé, mostra que na linguagem universal da música não há barreiras entre a obra cosmopolita de Dylan e o regionalismo da canção nordestina.
E é trocando a gaita de boca do americano pela sanfona do forró que Zé Ramalho constrói um disco autêntico, à altura de um tributo ao maior poeta do rock. Mesmo quando vai pelo caminho mais simples, o álbum funciona. Negro Amor é uma regravação da já conhecida versão de Caetano Veloso para It’s All Over Now, Baby Blue, enquanto que If Not For You, gravada também por George Harrison, foi registrada em inglês mesmo.
Produzido por Robertinho do Recife e lançado pela EMI, o CD prioriza as canções antigas de Dylan – embora Tá Tudo Mudando seja uma versão para Things Have Changed, que em 2000 rendeu ao compositor um Oscar pela trilha do filme Garotos Incríveis. Tudo bem, as versões são praticamente traduções literais dos originais. Mas se há um compositor com autoridade suficiente para traduzir a obra Dylan, esse alguém é Zé Ramalho.


O Bob Dylan da Paraiba

Apesar de tão geograficamente distantes, Zé Ramalho e Bob Dylan têm muita coisa em comum. Até simplificando um pouco, podemos dizer que Zé Ramalho é a versão tupiniquim de Bob Dylan. A jornalista Ana Maria Bahiana, em texto escrito no encarte de "Zé Ramalho Canta Bob Dylan - Tá Tudo Mudando", mostra bem essa proximidade: "A possibilidade de um paraibano de Brejo da Cruz ter algo em comum com um judeu norte-americano das planícies geladas do meio-oeste pode parecer insólita até que se realiza que ambos compartilham um profundo amor pela palavra cantada".
E esse é exatamente o ponto de convergência entre Ramalho e Dylan: a palavra cantada. Assim como o trovador norte-americano, o trovador brasileiro sempre teve como principal característica letras com longas narrativas que são praticamente faladas, ao invés de cantadas. Assim, se a gente tem um "Chão de Giz", eles têm "Don't Think Twice It's Alright"; se cantamos "Avôhai" com uma naturalidade tão distinta que fez da canção um grande sucesso popular, os norte-americanos fizeram o mesmo com "Like a Rolling Stone".
E, que tal se o nosso trovador vertesse para o português as letras e incorporasse os elementos sonoros brasileiros nas canções de seu colega norte-americano? Nossa, jogada de gênio! Como ninguém nunca havia pensado nisso antes?
Zé Ramalho demorou 30 anos para concretizar o seu ambicioso projeto. E, talvez, esse tenha sido o momento certo. O paraibano já tem cacife necessário para se aventurar em um projeto que pode causar muita controvérsia entre os dylanescos de plantão. E, como Zé Ramalho já imaginava (ou deveria imaginar), "Tá Tudo Mudando", realmente, tem tudo para causar muita controvérsia.
Musicalmente, em praticamente todo o álbum, o cantor paraibano se sai muito bem. Se Bob Dylan usa e abusa dos elementos sonoros descobertos em seus heróis como Woody Guthrie e Odetta, Zé Ramalho verte com maestria as canções para a sonoridade de Jackson do Pandeiro e Luiz Gonzaga. Na maioria das vezes, especialmente em "Como Uma Pedra a Rolar" e "If Not For You", as coisas funcionam muito bem. A primeira ganhou uma discreta sanfona de Dodô Moraes, enquanto a segunda se transformou em um xote, com uma percussão bem brasileira. A canção, a única cantada em inglês poderia ser uma bela trilha sonora de uma festa junina no meio-oeste norte-americano... "Batendo na Porta do Céu" ganhou uma versão bem diferente da gravada em "Antologia Acústica" (1997). A letra mudou pouco, mas a sonoridade, mais puxada para o frevo, ficou bem melhor, a ponto de a gente se esquecer da letra que insiste em um chato "bate, bate, bate na porta do céu". Outra que, musicalmente, também se sobressai é a faixa-título, na qual Dodô Moraes manda muito bem mais uma vez.
Em outros momentos de "Tá Tudo Mudando", Zé Ramalho preferiu não se arriscar tanto. "O Homem Deu Nome a Todos Animais" e "Negro Amor" (versão para "It's All Over Now, Baby Blue") são dois exemplos. A primeira apresenta uma sonoridade por demais convencional, enquanto a segunda tem uma letra já bem conhecida, de autoria de Caetano Veloso e Péricles Cavalcante, e já gravada por Gal Costa e pelos Engenheiros do Hawaii. A letra é interessante, mas destoa um pouco da concepção de ineditismo do trabalho.
Mas voltando aos bons momentos do álbum, "Mr. do Pandeiro" foi outra que se transformou completamente, vertendo-se em um rápido coco, nos seus segundos finais. A letra, que chega até a citar Jackson do Pandeiro ("Hey Jackson do Pandeiro, toque para mim! / E entre as canções desta manhã / Eu poderei te seguir"), é um dos grandes achados do disco. Mas, em outros momentos, a necessidade de Zé Ramalho em atualizar as letras, acaba soando um pouco "over". Esse é o caso de "Rock Feelingood" (versão para "Tombstone Blues", na qual Zé Ramalho faz uma miscelânea poética que chega até o filme "Tropa de Elite" ("O Tropa de Elite / Mostrou a classe média / Como sendo responsável / Por essa grande tragédia / Pois compra a sua droga / E financia a violência").
Entretanto, em "O Vento Vai Responder", Zé Ramalho foi genial ao substituir as "balas de canhão" pelas "balas perdidas" ("Quantas mais balas perdidas voarão / Antes de desaparecer?"). Um pequeno detalhe, assim como tantos outros, que prova que "Tá Tudo Mudando" apesar de arriscado, é um belo disco.


Fonte:
Luis Felipe Carneiro

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