segunda-feira, 26 de julho de 2010
10 Anos do Disco Nação Nordestina
quarta-feira, 23 de junho de 2010
Entrevista
Helder Maldonado – Você já gravou disco em homenagem a Raul Seixas, Bob Dylan e Luiz Gonzaga. Agora é a vez de Jackson do Pandeiro. Porque tem preferido elaborar songbooks em vez de lançar discos inéditos?
Zé Ramalho – Não há uma razão específica para justificar. É uma fase da minha discografia, em que estou demonstrando habilidade como intérprete e arranjador, produtor e diretor musical. São discos preciosos para as gerações futuras e obviamente que deverei voltar à linha de gravar trabalhos inéditos. Isso ocorrerá em dois ou três anos no máximo.
HM – Existem outros artistas que você pretende homenagear no futuro?
ZR – Sim. Provavelmente o próximo CD da coleção Zé Ramalho canta… será em homenagem aos Beatles, que, assim como os outros já gravados, foi de grande influência para mim.
HM – Como você teve acesso às músicas raras contidas no disco?
ZR - Um dos meus músicos, o Zé Gomes, é sobrinho do Jackson do Pandeiro e tambem cultor (guardião legal) da obra do Jackson, tendo o poder de autorizar gravações ou não. Foi ele quem me passou algumas gravações raras do tio, tiradas do acervo que ele guarda com carinho. La vai a Boiada é uma das mais preciosas.
HM – Seu novo show será baseado apenas no repertório desse disco?
ZR – Não, isso jamais seria possível, pois o público não aceitaria. Todos querem ouvir os grandes sucessos da minha carreira em todos os shows. Ano a ano eu mudo metade ou 1/3 do repertório, mas há um bloco de músicas que não podem faltar como: “Admirável Gado Novo”, “Avôhai”, “Vila do Sossego”, “Chão de Giz”, “Eternas Ondas”, “Frevo Mulher”, entre outras.
HM – Pretende apresentar um show com o repertório repleto de versões para Bob Dylan, Raul, Gonzação e Jackson?
ZR – Isso também não é possível. Não dá para misturar tudo num caldeirão só. São coisas diferentes, as quais já apresentei: um show só para Raul e um show só para Bob Dylan. Se eu fizesse isso, seriam várias horas de show e nao é assim que se faz.
HM – Resgatando o cancioneiro de Jackson – um artista pouco lembrado no sul e no sudeste – você garante que certas pessoas tenham interesse em procurar a obra do cantor. Porém, você concorda que seria também interessante que as gravadoras reeditassem discos dele e os meios de comunicação também prestassem tributos a esse grande expoente da música nacional?
ZR – Isso seria de bom êxito. Porém, não vejo mais possibilidades de as gravadoras relançarem tais obras. Porque elas mesmas não dispõem desse precioso arquivo. Agora, quanto aos meios de comunicação, digo para você mesmo, que está fazendo a pergunta: o que você fará para executar sua própria ideia?
HM – Zé, você lança discos com uma frequência superior a de muitos artistas contemporâneos. Mesmo na época de crise, você aposta no formato físico. Faz por vontade própria ou por uma certa urgência de mostrar material novo e diversificado em um mercado tão competitivo como o atual?
ZR – Faço com este ritmo intenso devido à minha paixão pela música. É por ter condições, conhecimento e maturidade para realizar anualmente tais trabalhos. E nunca vou parar. Mesmo que não existam mais gravadoras, estarei sempre dando um jeito de estar no mercado.
HM – Zé, liste seus maiores erros, acertos e excessos na vida e carreira.
ZR – Não vou responder isso. Isso é asunto para outra entrevista, com várias páginas.
HM – Qual a importância de seu relacionamento profissional com Marcelo Fróes?
ZR – A importância é a produção musical-cultural que realizamos com seriedade e amizade também. Tudo que fazemos é debatido, conversado e estudado. E com ele realizo projetos que, com certeza, com as últimas gravadoras que ainda resistem, não seriam possíveis de serem feitos.
HM – Você ainda acompanha mitologia grega, revista em quadrinhos e ufologia?
ZR – Só a ufologia permanence na minha proposta para desenvolver a curiosidade pessoal. Porque a ufologia não é uma história do passado. É o presente e o futuro, decorrendo ao nosso lado. Isto é: ao lado da realidade diária, está essa outra realidade ufológica, que assusta, é invisível para a maioria, mas está presente lado a lado na nossa vida, no nosso planeta.
HM – O documentário “Zé Ramalho – O Herdeiro do Avohai” teve um resultado que te agradou?
ZR – Sim. É um documentário precioso e cuidadoso, realizado por um cineasta e jornalista paraibano que se dedicou a realizar tal trabalho com paciência e objetividade. Por ter sido feito na Paraíba, tem mais valor ainda e contém imagens e relatos preciosos ditados por mim mesmo.
HM – Existe a possibilidade de ser lançada uma biografia sobre sua vida também?
ZR – Quem sabe? Existem alguns livros que, se não são biográficos, já contam parte da minha vida. Quem quiser saber quais são estes livros, visite o meu site (www.zeramalho.com) na seção livros.
HM – Nunca te passou pela cabeça escrever um livro de memórias ou de crônicas?
ZR – Já passou, sim, e isso poderá ser realizado num futuro próximo. O ghost writer é que terá que aparecer para me ajudar nessas lembranças e narrativas.
Helder Maldonado
quarta-feira, 2 de junho de 2010
Forró Para Dar e Vender
A produção fonográfica de época não deixa dúvidas: São João chegou. Alguns artistas não precisam necessariamente da data para cantar. Mas aproveitam a festa para vender produtos especiais. É o caso de Zé Ramalho, que regrava Jackson do Pandeiro num álbum que passa longe dos típicos CDs tributo.
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Zé e Jackson - Zé Ramalho canta Jackson do Pandeiro deixando a impressão de que mais ninguém o faria com tanta personalidade. É uma tentação para qualquer cantor chegar perto do que fazia Jackson, sublinhando suas divisões e sincopados marcantes. Zé tem sua própria marca vocal e não precisa tomar emprestado os recursos do outro. Canta à sua maneira clássicos do forró sambado de Jackson, a exemplo de Forró na gafieira, o Canto da Ema, além de um medley com Sebastiana, Um a um e Chiclete com banana. Zé se permite, inclusive, em Chiclete com banana, fazer as mesmas estripulias vocais, numa versão que acaba num samba danado, com pandeiro e a sanfona de Waldonys, produtor da faixa. Metade do repertório do CD (o disco tem 12 faixas) é inédita na voz de Zé. A outra metade foi retirada de fonogramas de discos anteriores.
Dirigido pelo jornalista Marcelo Fróes, dono do selo Discobertas, as músicas trazem arranjos bem diferentes do original, o que as aproxima do universo de Zé Ramalho, que considera Jakson a "segunda coluna do templo da música nordestina". Sendo o primeiro, claro, Luiz Gonzaga. O álbum, segundo Zé Ramalho, "orgulha pelo conteúdo e fé". De fato, além das canções mais conhecidas e animadas de Jackson do Pandeiro, o tributo resgata músicas lentas e contundentes, que Jackson assinou com parceiros.
Entre essas últimas, Lamento cego (com Nivaldo Lima), que abre o CD, e a cantoria Ele disse (de Edgard Ferreira, gravada por Jackson), que traz trecho de um pronunciamento de Getúlio Vargas, de 1º de maio de 1951. Há também as canções mais conhecidas do cancioneiro de Jackson, que Zé reiventa. Entre elas, a Cantiga do sapo e Casaca de couro, com a sanfona de Sivuca. Um luxo só.
Quadro-negro, outro grande sucesso, tem andamento mais lento, assim como o forró Cabeça feita. Se uma das maiores heranças de Jackosn foi justamente seu modo de cantar diferenciado, sendo ele interpretado por Zé Ramalho (outra "grife" vocal), o grande mérito da obra só adquire mais valor.
sábado, 29 de maio de 2010
sexta-feira, 21 de maio de 2010
terça-feira, 18 de maio de 2010
Zé Fala do Disco em Homenagem à Jackson do Pandeiro
Quem nasceu no Nordeste cresceu ouvindo Jackson e outros nomes do forró, que tocava muito nas rádios da região. Qual a lembrança mais antiga que você tem de Jackson, de uma música dele?
ZÉ RAMALHO – No final da década de 50, a partir dos meus dez anos de idade, morava em Campina Grande e, nesse tempo, Jackson tocava muito no rádio. E, provavelmente, uma das músicas mais executadas em rádio AM era Sebastiana. Havia também algumas marchas de Carnaval que Jackson gravava, nesse tempo.
E a influência de Jackson em sua música. Ela está presente onde? No ritmo, na abertura para cantar todos os gêneros e usar todos os instrumentos?
ZÉ RAMALHO – Primeiro, na contagiante alegria que ele me passa quando escuto seus discos. E o mais importante dado que me passou foi o senso de divisão do seu canto. Domínio total dos compassos e pausas, brincando como um moleque dentro da melodia e das palavras. Um mestre que, cada vez mais, depois da sua prematura morte, é reverenciado por toda a comunidade da MPB.
Na época em que você tocava com Alceu chegou a fazer shows com Jackson? Como era a relação entre ele e vocês, todo mundo na época meio hippie, cabeludos e tal?
ZÉ RAMALHO – Alceu fez um Projeto Pixinguinha com Jackson do Pandeiro. Eu já não tocava mais na sua banda, mas tive oportunidade, aqui no Rio de Janeiro, de participar de um show no Teatro João Caetano, onde Jackson estava entre nós, cabeludos hippies. Eu, Fagner e Moraes Moreira. E também estive com ele nos camarins dos shows da vida.
Uma influência obviamente forte em sua carreira vem da cantoria de viola, mas isso começou depois do filme de Tânia Quaresma, Nordeste: cordel, repente, canção, em que você trabalhou com Lula Cortês, ou já a trazia de antes?
ZÉ RAMALHO – O filme da Tânia Quaresma não tem absolutamente nenhuma presença de Lula Cortês. Eu fui o rastreador e diretor musical em algumas gravações, que foram feitas pelos sertões nordestinos. E a ligação com a cantoria já havia em mim, por isso mesmo que fui solicitado pela diretora Tânia Quaresma para fazer parte da equipe de gravação do filme. (Nota: na faixa 4, do LP 1, da trilha sonora do documentário, Zé Ramalho e Lula Cortês cantam Martelo alagoano, atribuída a Zé Limeira).
E Jackson realmente criou toda uma escola de cantar, em gente como Jacinto Silva, Oswaldo Oliveira, Joci Batista, Silvério Pessoa, Gilberto Gil. Você concorda que as três mais importantes vozes-guia da MPB foram Orlando Silva, Jackson do Pandeiro e João Gilberto?
ZÉ RAMALHO – Concordo, mas tem que ser colocada mais uma voz: a do mestre Luiz Gonzaga, que está na mesma altura dos nomes que você citou.
No release do disco, você cita Jackson como uma das duas pilastras que seguram a música nordestina. Apesar disto, praticamente toda a discografia dele está fora de catálogo. Como você explicaria isso?
ZÉ RAMALHO – Bem, em se tratando de músicas de raiz, como é o caso do Jackson, não há nenhum interesse em relançar a discografia dele, que é muito extensa, em formato CD. Quem tem os discos originais em vinil está com o tesouro, muito embora várias edições originais tenham sido formatadas em CD e postas à venda. Pena que não existam mais gravadoras e os acervos que elas continham foram para o beleléu.
O repertório de Jackson do Pandeiro é caudaloso. Qual critério para escolher as quatro músicas gravadas especificamente para esse projeto?
ZÉ RAMALHO – O primeiro critério é o sentimento que essas canções, que eu regravei, me passaram. Por exemplo, a música que abre o disco, Lamento cego, é uma recordação que ele teve das feiras nordestinas e dos cegos, mendigos e pedintes que existiam nesses eventos. É um sentimento puro, que eu senti cantando tal lamento. Assim como a música Lá vai a boiada também contém um sentimento triste, pois fala da paisagem, também muito triste, da seca nordestina. Além de Quadro negro, que mostra a sagacidade e a malícia inteligente e perspicaz, que expõe a letra. Nesse caso, uma alegria e mais uma molecada do Jackson.
Você, no passado, gravou um disco com músicas gravadas por Luiz Gonzaga, que foi o seu show de São João. Este de Jackson seria seu disco junino?
ZÉ RAMALHO – Não faz assim tanto tempo que eu lancei Zé Ramalho canta Luiz Gonzaga. Pode ser considerado um disco junino, mas ao mesmo tempo, ele é solto, independe da estação sazonal. Poderá ser ouvido a qualquer dia e a qualquer hora.
Você é presença garantida nas maiores festas de São João do Nordeste, porém o forró autêntico vem sendo, digamos acuado, pelas bandas que se dizem de forró, mas que chamo de fuleiragem music. Como você vê o sucesso destes grupos, produzidos por grandes empresários?
ZÉ RAMALHO – O sucesso desses grupos não pode ser questionado como fuleiragem, porque não acho que sejam. Fazem um formato diferente do ritmo que se chama de forró, revestido de luxo, sensualidade e riqueza na produção. Apenas não podem ser chamados de grupos de música de raiz. Se a avaliação crítica não gosta, nem se agrada dessas bandas, nada poderão fazer, diante do sucesso e público que eles alcançaram.
E disco de inéditas, Zé, quando vem o próximo?
ZÉ RAMALHO – Não sei ao certo. Tenho material inédito para gravar, só que não sei quando. De vez que, cada vez menos, há um público que compre discos em lojas – cada vez mais escassas – ou em sites, a que só uma parte do público consumidor tem acesso. É como atirar pérolas aos porcos. Não sei se terei tolerância e paciência para gravar um disco só com minhas músicas, letras e arranjos, para ter que ser, também, o lançador, controlador e recolhedor em todo o processo de consumo. É um saco e uma tristeza me ver nesse tempo em que os valores foram invertidos. Rádios, televisões, mídia em geral, nenhuma dessas facções se interessará por nenhum disco que tenha músicas inéditas – não importando o artista, nem o tempo de carreira que ele tenha.
quarta-feira, 5 de maio de 2010
Zé Ramalho Canta Jackson do Pandeiro
Pegando o mote junino Zé Ramalho começou a gravar mês passado o seu mais novo disco, desta vez uma homenagem ao Rei do Suingue da Música Nordestina, neste disco vai ter seis gravações inéditas de um total de 12 gravações, o disco vai sair pelo Selo Discobertas, produzido por Marcelo Fróes.
- Quadro Negro
- Cabeça Feita
- Lamento Cego
- Lá Vai a Boiada
- Forró de Surubim
- Forró na Gafieira
sábado, 20 de fevereiro de 2010
A Saga de um Visionário da Música Brasileira
Ao enfocar a trajetória individual desse ícone de nossa música, o documentário "Zé Ramalho, o Herdeiro de Avôhai" celebra ao mesmo tempo a universalidade e a força da arte brasileira plasmada na riqueza de gêneros e expressões de valor incalculável, a despeito das adversidades e dos contrastes sócio-econômicos regionais.
- Brejo do Cruz
- Campina Grande
- João Pessoa
- Show em Tambaú
- Rio de Janeiro
- Filmes - imagens dos filmes "Conterrâneos Velhos de Guerra (Vladimir Carvalho) - com trilha sonora de Zé Ramalho, "Histórias de Zé Ramalho na Pedra do Ingá" (Otto Guerra) e "A Cana" (Zé Ramalho e Hugo Leão) nos permitem referências históricas e também abordagens metalinguisticas, considerando especialmente a interação de Zé Ramalho com o cinema.
- Trilha Sonora - algumas das principais canções de Zé Ramalho atravessam o filme em clips ou cantadas e tocadas ao vivo pelo próprio artista.
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
DVD Documentário “Zé Ramalho – O Herdeiro de Avôhai”
Já está à venda o documentário "Zé Ramalho - O Herdeiro de Avôhai" que conta a saga de Zé Ramalho, o documentário é produzido pelo jornalista e documentarista Elinaldo Rodrigues.
Preço: R$ 20,00 + frete
Vendas por depósito bancário
Contato: janelacultural@yahoo.com.br
A Última Nau
O Poema de Fernando Pessoa (A Última Nau) faz parte da Trilha Sonora da novela das 7 'Tempos Modernos' da Rede Globo na voz de Zé Ramalho.
Não voltou mais. A que ilha indescoberta
Ah, quanto mais ao povo a alma falta,
Não sei a hora, mas sei que há a hora,